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Economia: dão-me autorização para ser otimista?

por Tiago G. Sampaio, em 31.12.13

Depois de hoje ter passado os olhos pelas principais edições online de alguns jornais económicos e ter sido bombardeado com uma pilha de títulos alusivos a balanços de 2013 e previsões e desejos para 2014 constatei que é a altura perfeita eu próprio contribuir para esta balbúrdia ruidosa e também eu fazer um balanço dos balanços que os outros fazem da Economia nacional. Não, não vou fazer um balanço dos balanços, isso é estúpido. Vou antes dizer as coisas como eu as vejo. E que melhor sítio para o fazer que o meu proto-blog com os seus 5 posts de Dezembro de 2010 a Fevereiro de 2011 (portanto inativo há quase 3 anos)? É chegada a hora de pôr isto a mexer outra vez!

 

Ora, onde muitos vêem o copo meio vazio outros escolhem vê-lo meio cheio. Quem me conhece saberá que tendo a ver o copo meio cheio, quanto mais não seja porque acho que é preferível que uma pessoa com sede se sinta aliviada por ainda ver o copo meio cheio do que desesperar por ele já estar meio vazio. Parece-me lógico.

 

E porque eu prefiro acreditar que o que o futuro nos reserva é melhor do que aquilo que nos é oferecido agora, aqui estão os factos para os quais eu prefiro olhar e as previsões em que eu prefiro acreditar:

 

- O consumo privado estabilizou apesar de as receitas do Estado com o IRS terem aumentado cerca de 30%. Isto é impressionante e demonstra que apesar de este reescalonamento ter efeitos adversos no que se refere às desigualdades sociais (mais uma vez com especial incidência sobre a classe média), as famílias portuguesas decidiram resistir e ajudar as empresas, especialmente as nacionais, redirecionando muitas vezes os seus gastos/investimentos para os pequenos negócios;
- 2013 foi o melhor ano de sempre para as exportações portuguesas, sendo que o saldo da balança comercial se tornou positivo e as exportações já representam 41% do PIB, tendo Portugal ganho quota de mercado essencialmente em mercados extra-comunitários (onde está o crescimento). E só de pensar que em 2019 as empresas portuguesas estarão a exportar o dobro do que em 2009 é impressionante. Tudo pode ser feito, com visão e sem medo de correr riscos;
- O 3 partidos do chamado arco da governação conseguiram um acordo para a baixa sustentável do imposto sobre as empresas (IRC). E a meu ver muito bem. Haverá quem argumente que deveriam ser os impostos sobre os particulares e o consumo (IRS e IVA) a baixar primeiro. Eu cá penso que o consumo privado estabilizado, combinado com um IDE baixo e uma taxa de desemprego inaceitavelmente alta, esta será a melhor escolha para atrair capital estrangeiro e promover a criação de postos de trabalho.

- Vistos gold, regularização de dívidas à SS, aperto da fiscalização e lotaria com faturas são ideias que parecerão descabidas a muitos. A mim parecem-me no mínimo originais e interessantes. Uma prova de que na política se podem encontrar soluções onde menos se espera.

- O fantasma do 2º resgate e da espiral recessiva parecem afastados, depois dos alarmismos exacerbados da oposição. Embora esses receios fossem compreensíveis na altura, os discursos proferidos e o mediatismo que recaiu sobre os mesmos em nada ajudaram, antes pelo contrário.
- 2014 será ano de crescimento, ainda que moderado. Podemos finalmente olhar para um ano com geração efetiva de riqueza e que, esperemos, seja o primeiro de muitos;
- O saldo conjunto da balança corrente e de capital é positiva;
- A escalada desenfreada do desemprego aparenta ter abrandado.

 

Não será tempo para lançar foguetes ou para ignorar o que está mal, faltam políticas sociais e de emprego, falta solidariedade, falta uma educação de maior qualidade e acesso universal à saúde. Mas este não é definitivamente o tempo de olhar para trás, de apontar o dedo e nada fazer.

 

O caminho faz-se andando e em frente. Se não tivermos esperança num futuro melhor o que nos resta?

 

Tiago Gaspar Sampaio

publicado às 09:20



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